sábado, 4 de junho de 2016

"Nero Wolfe" de Rex Stout

Desde sempre, na leitura, me fascinaram as histórias de crime e mistério. Acho que desde cedo, com a Enid Blyton e os seus "Cinco" e os "Sete", esta se tornou uma das minhas áreas favoritas se bem que para alguns, a par da ficção científica, possa ser considerada um género literário menor, ponto de vista com o qual discordo. 



Várias têm sido as adaptações ao pequeno écran dos meus autores favoritos. Apareceram já há uns anos bem largos Os Cinco (“We are the Famous Five… Julian, Dick and Anne, George and Timmy the dog”), adaptados das histórias da Enid Blyton. Depois, mais tarde, tivemos o prazer de ver Sherlock Holmes (um fabuloso Jeremy Brett) e seu amigo Watson (Edward Hardwicke), de Sir Arthur Conan Doyle e Mr. Poirot (David Suchet) com Hastings (Hugh Fraser), saídos da imaginação de Agatha Christie. Em tempos mais recentes assisti a alguns episódios adaptados dos livros de Elisabeth George, do Inspector Linley e sua ajudante Barbara Havers, mais uma vez uma adaptação inglesa (destaque-se o trabalho da Granada Television e da BBC).



Mas, o que me faz aqui falar de crime e mistério, é a passagem para o pequeno écran de “Nero Wolfe”, uma adaptação das histórias de Rex Stout. Tal como eu, também alguns dos que me rodeiam gostam deste género literário. Há uns largos anos, no tempo do liceu, um amigo emprestou-me alguns dos livros da sua colecção Vampiro (os pequenos, de capa preta), entre os quais se contava uma aventura escrita por Rex Stout. 


Rex Stout
Aí foi-me apresentado Nero Wolfe, o seu detective que, como não podia deixar de ser, tinha um ajudante, de seu nome Archie Godwin. São variadíssimas as histórias passadas com ambos, e a passagem ao pequeno écran tem uma reconstituição de época fabulosa (anos 30/40), bastando para isso ver o escritório/biblioteca de Nero Wolfe ou estar atento ao guarda-roupa apresentado. 



Como Nero Wolfe está o actor Maury Chaykin, que tinha descoberto pouco tempo antes como o dramaturgo da peça que Annette Bening representa no final de “Being Julia”. No papel de Archie Goodwin (e perfeito para quem já leu os livros) temos Timothy Hutton, que também é um dos responsáveis pela produção da série. Quem não se lembra dele em “French Kiss” como Charlie, o namorado traiçoeiro de Kate (Meg Ryan), ou em “Ordinary People”/”Gente Vulgar” ou ainda “Taps”/”O Clarim da Revolta”? 


Nero Wolfe, enquanto detective, tem características bem particulares: raramente ou nunca sai de casa (sendo os seus olhos e ouvidos no exterior Archie Goodwin), é um verdadeiro gourmet (contribuindo para o facto ter o que de há melhor no campo da culinária, o seu mordomo/chef Fritz Brenner – Colin Fox) e criador de orquídeas, tendo na sua colecção algumas preciosidades raras desta flor. Termina sempre, mas sempre, a sua noite com duas ou três garrafas de cerveja enquanto Archie Goodwin lhe faz companhia com o seu copo de leite. 



À volta de Nero Wolfe gira o Inspector Cramer, da polícia de Nova Iorque, o qual espera sempre uma ajuda de Wolfe para a resolução dos mistérios/crimes mais difíceis. Archie Goodwin pode contar, sempre que precisa, para o trabalho de “pernas”, com os detectives privados Saul Panzer (Conrad Dunn), Fred Durkin (Fulvio Cecere) e Orrie Cather (Trent McMullen). 


Não haja qualquer dúvida que desde que bem adaptados os textos e realizadas as séries, estas podem ser consideradas verdadeiros “telefilmes” e darem tanto prazer a quem as vê como uma bela película de longa duração (Timothy Hutton e Michael Jaffe são dois dos realizadores da série). Por isso, é de saudar a edição em dvd das séries que fizeram história na TV, em particular as oriundas da BBC, mas também as que criaram um verdadeiro culto à volta delas.

4 comentários:

  1. Infelizmente só vi alguns episódios da série televisiva de que gostei bastante, o Timothy Hutton está excelente, já quanto aos livros apenas li um numa edição do círculo de leitores e alguns na vampiro de bolso, Nero Wolfe é um autor a descobrir e é Literatura ao contrário de muita que por aí anda a vender como "pãezinhos quentes", devido às suas capas apetitosas, revelando-se o seu conteúdo algo de inenarrável.
    Beijinhos e bom fim-de-semana

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    1. Nero Wolfe junta-se facilmente ao conjunto de detectives no papel que nos apaixonam! Boa semana

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  2. Vi muitos filmes policiais, antigas séries que costumavam dar na televisão. Livros, não li muitos, mas gosto! Só que acabavam por dar lugar a outras escolhas.

    A colecção Vampiro está a ser reeditada.

    Um bom domingo:)

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    1. São uma das minhas opções de leitura favorita! E o Rex Stout é um mestre nesta arte, que aconselho! Boa semana! (costumo dizer que já tenho todos os Vampiros que quero e estive este fim de semana com as reedições nas mãos - não gosto do formato e pesam demasiado!!)

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