sexta-feira, 13 de abril de 2018

O Pedro....

Por estes dias (e desde segunda-feira, 9 de Abril) há uma canção do Sérgio Godinho que roda na minha cabeça, embora eu lhe mude os versos: No original são "porque hoje fiz um amigo, coisa mais preciosa do mundo não há" (Com um Brilhozinho nos Olhos). Os versos nestes dias, para mim, são: "porque perdi um amigo, das coisas piores do mundo que há!"

Tudo isto para falar do meu amigo Pedro Guerreiro, que fiquei a saber, no dia dos seu aniversário, ter partido (para um local melhor, esperamos todos que assim seja) do mundo terreno.

Durante anos da minha vida o périplo era feito entre Algés, onde morava e Linda-a-Velha onde estudava. Não me lembro quando começou, mas as aulas de manhã originavam tardes de lazer e depois dos deveres estudantis e filiais cumpridos, o destino invariável era a Tá-Mar ou o Caravela, sendo a primeira a nossa favorita. Longas as tardes de conversa em grupo, à volta de um café, em que um e outro se iam juntando ao grupo, chegando a ser 20 à volta de uma mesa, com uma única bica (Raro se consumia outra coisa, mas que os nossos olhos cobiçavam a montra dos bolos - com os Garibaldis à cabeça, não haja dúvida). Alguns protestos dos empregados, mas havia por lá um deles que tinha filhas no mesmo liceu e tentava apaziguar os colegas (para quem conheceu a Tá-Mar o nosso poiso era sempre na sala do meio, sendo a de um dos lados salão de chá, para os mais chiques e do outro lado a sala para os mais "radicais").
Támar - Foto retirada da página FB "A Gazeta de Miraflores"
Não consigo precisar a data em que o conheci, mas parece que esteve sempre lá, de uma geração mais velha, mas que adorava conversar com pessoas de qualquer nível etário. Com ele aprofundei descobertas de música clássica (filho do tenor Armando Guerreiro - e que orgulhoso estava por Linda-a-Velha ter dado o nome de uma rua ao seu pai) e aprendi que os actores não fazem papéis pequenos porque querem, mas também porque é necessário sustentar a família (a mãe, Maria Salomé Guerreiro, actriz, declamadora e encenadora, fazia por essa altura um papel pequeno na telenovela Vila Faia, a primeira feita em Portugal que arrastou multidões). Falava-se de tudo e de nada e mesa onde estivesse não faltava assunto. Gargalhámos com as frases do Millôr Fernandes, do livro que lia na altura ou das piadas do Juca Chaves e com ele descobri o Júlio Machado Vaz, que na altura fazia o programa "O Sexo dos Anjos" numa rádio local. A paciência que era precisa quando o vencedor da Fórmula Um não era o seu favorito 😊

Na Támar, com José Viana, que a pedido do Pedro, nos deu um autógrafo.

As opções profissionais levaram-no para o sul do país e até Espanha e durante quinze anos não nos cruzámos. As redes sociais, tão amaldiçoadas, permitem-nos reencontrar bons velhos amigos e assim foi, no final de 2017, descobrindo nós que estávamos muito mais perto do que pensávamos. O encontro para o tal café foi possível já em 2018 e que bom foi abraçar um velho amigo. Até o rapaz lá de casa, que até aí só tinha ouvido falar do Pedro, achou que tinha encontrado um amigo, já que a geração e gostos eram os mesmos.

No dia do seu aniversário soube que tinha partido há já uns largos dias e pela segunda vez em todos estes larguissimos anos falei com a mãe do Pedro, que me disse  não ter dúvidas de quanto o filho era querido por todos que durante tantos anos com ele conviveram. Fazes falta amigo!

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